Reconhecemos de longe um profissional de saúde, com sua roupa branca, jaleco e até mesmo carregando um estetoscópio pelas ruas, mas o fato de esses profissionais transitarem em locais públicos com seus instrumentos de trabalho gera polêmica e divide opiniões de médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de saúde.
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 471/11, do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), que proíbe o uso de equipamentos individuais de proteção de trabalhadores de hospitais, clínicas e outros centros de saúde fora do ambiente profissional.
Conforme o projeto, quem descumprir a medida estará sujeito a multa e advertência e os empregadores responderão solidariamente pela infração. O projeto também prevê a realização de atividades educativas sobre prevenção de riscos biológicos para os trabalhadores em saúde. O objetivo do texto é evitar que os profissionais transmitam infecções hospitalares através de suas roupas ou instrumentos de trabalho. Proposta de igual teor (PL 6626/09) havia sido apresentada pelo mesmo autor e foi arquivada ao final da legislatura passada. Em São Paulo já existe uma lei para isto e a infração e está sujeita à multa no valor de R$174,50.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também proíbe a prática. Mesmo assim, segundo Alberto Cesar, coordenador do curso técnico de enfermagem da Faculdade e Escola Técnica LS, não é difícil encontrar profissionais ou estudantes de saúde em locais públicos desrespeitando esta norma da Anvisa.
Segundo Alberto Cesar, o uso irregular destes trajes pode ser um perigo para pacientes e para a população, pois as roupas podem levar bactérias da rua para o hospital e vice-versa.
Já para o estudante de medicina, Luciano Lourenço, o uso das vestimentas próprias deve ser restrito e os cuidados são essenciais. “O jaleco é o protetor que separa os agentes infecciosos entre o profissional de saúde e o paciente, porém pode ser um agente transmissor. Além disso, há clinicas que não há oferecem condições físicas (local para guardar jalecos limpos e sujos). Sabendo destes riscos, as escolas de saúde enfatizam os cuidados”, relata.
“Lavar as mãos, usar álcool em gel, trocar as roupas sujas antes de sair do ambiente profissional e lavar sempre os jalecos e tomar banho. São algumas dicas para evitar a contaminação. “conclui o coordenador Alberto Cesar.
Opiniões de Alunos da Faculdade e Escola Técnica LS
“Perfeito a proibição, pois todos sabem que não é correto mais continuam cometendo o erro. Existem profissionais que fazem de um jaleco uma peça de roupa comum não um equipamento de proteção. Se todos tivessem consciência não deveria existir a lei, mais como sabemos que muitos não tem, apoio totalmente”.
Izeuda Barros, Enfermagem.
“Acredito que o projeto é uma boa iniciativa e tem a finalidade evitar que vírus e bactérias sejam carregados para dentro das unidades médicas. Eu muitas vezes já vi profissionais em bares e restaurantes usando o jaleco”.
Raphaella Morena, Técnico de Radiologia.
“ Correto. Utilizar materiais para proteção dentro do hospital e não para desfile as bactérias estão por todas as partes”.
Meire Rose, Enfermagem
“ Corretíssimo, pois as EPIS hospitalares são para uso interno e não pra ficar posando de bonitinho(a) nas ruas. Afinal de contas a contaminação não é feita apenas de fora do hospital para dentro, como também do ambiente hospitalar para o meio externo”.
Luquiani Oliveira, Técnico de Radiologia.