segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PROJETO DE LEI PROÍBE QUE PROFISSIONAIS DE SAÚDE USEM JALECO E INSTRUMENTOS MÉDICOS FORA DO AMBIENTE DE TRABALHO


Segundo estudo feito pela PUC-SP, 95,83% dos jalecos analisados  apresentavam micro-organismos.

Jussara Azevedo


Reconhecemos de longe um profissional de saúde, com sua roupa branca, jaleco e até mesmo carregando um estetoscópio pelas ruas, mas o fato de esses profissionais transitarem em locais públicos com seus instrumentos de trabalho gera polêmica e divide opiniões de médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de saúde.


Tramita na Câmara o Projeto de Lei 471/11, do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), que proíbe o uso de equipamentos individuais de proteção de trabalhadores de hospitais, clínicas e outros centros de saúde fora do ambiente profissional. 

Conforme o projeto, quem descumprir a medida estará sujeito a multa e advertência e os empregadores responderão solidariamente pela infração. O projeto também prevê a realização de atividades educativas sobre prevenção de riscos biológicos para os trabalhadores em saúde. O objetivo do texto é evitar que os profissionais transmitam infecções hospitalares através de suas roupas ou instrumentos de trabalho. Proposta de igual teor (PL 6626/09) havia sido apresentada pelo mesmo autor e foi arquivada ao final da legislatura passada. Em São Paulo já existe uma lei para isto e a infração e está sujeita à multa no valor de R$174,50.

 Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também proíbe a prática. Mesmo assim, segundo Alberto Cesar, coordenador do curso técnico de enfermagem da Faculdade e Escola Técnica LS, não é difícil encontrar profissionais ou estudantes de saúde em locais públicos desrespeitando esta norma da Anvisa.
Segundo Alberto Cesar, o uso irregular destes trajes pode ser um perigo para pacientes e para a população, pois as roupas podem levar bactérias da rua para o hospital e vice-versa.
 Já para o estudante de medicina, Luciano Lourenço, o uso das vestimentas próprias deve ser restrito e os cuidados são essenciais. “O jaleco é o protetor que separa os agentes infecciosos entre o profissional de saúde e o paciente, porém pode ser um agente transmissor. Além disso, há clinicas que não há oferecem condições físicas (local para guardar jalecos limpos e sujos). Sabendo destes riscos, as escolas de saúde enfatizam os cuidados”, relata.
“Lavar as mãos, usar álcool em gel, trocar as roupas sujas antes de sair do ambiente profissional e lavar sempre os jalecos e tomar banho. São algumas dicas para evitar a contaminação. “conclui  o  coordenador Alberto Cesar.



Opiniões de Alunos da Faculdade e Escola Técnica LS




“Perfeito a proibição, pois todos sabem que não é correto mais continuam cometendo o erro. Existem profissionais que fazem de um jaleco uma peça de roupa comum não um equipamento de proteção. Se todos tivessem consciência não deveria existir a lei, mais como sabemos que muitos não tem, apoio totalmente”.
 Izeuda Barros, Enfermagem.

“Acredito que o projeto é uma boa iniciativa e tem a finalidade evitar que vírus e bactérias sejam carregados para dentro das unidades médicas. Eu muitas vezes já vi profissionais em bares e restaurantes usando o jaleco”.
Raphaella Morena, Técnico de Radiologia.

 Correto. Utilizar materiais para proteção dentro do hospital e  não para desfile as bactérias estão por todas as partes”.
Meire Rose, Enfermagem

“ Corretíssimo, pois as EPIS hospitalares são para uso interno e não pra ficar posando de bonitinho(a) nas ruas. Afinal de contas a contaminação não é feita apenas de fora do hospital para dentro, como também do ambiente hospitalar para o meio externo”.
Luquiani Oliveira, Técnico de Radiologia.
Estudos apontam contaminação

O potencial do jaleco como possível veículo de transmissão de micro-organismos foi apontado em pelo menos dois estudos recentes. Um deles foi divulgado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), câmpus de Sorocaba, no fim do ano passado.

Das 96 amostras de aventais analisadas, 95,83% apresentavam micro-organismos. Entre eles estava a bactéria staphilococcus aureus, considerada um dos principais agentes de infecção hospitalar. No início deste mês, um outro estudo, feito pela Faculdade Veris, em Campinas, também apontou a contaminação nos aventais. Entre os micro-organismos frequentes estavam: estafilococos coagulase negativa, streptococcus sp, bacillus gram, diplococos gram negativos e bolores.

"Esses micro-organismos podem ocasionar infecções cutâneas, respiratórias, problemas gastrointestinais e até mesmo problemas mais graves se caírem na corrente sanguínea", diz a microbiologista Rosana Siqueira dos Santos, responsável pela pesquisa da Veris.


Fonte: Jornal da Tarde



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